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Bariloche em 6 dias: Cerro Catedral, Circuito Chico e os lagos da Patagônia

San Carlos de Bariloche, Argentina 6 dia(s) Neve e montanha R$ 9.000,00
Avatar de Marcos Oliveirapor Marcos Oliveira15/09/20260 visualizações
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Foto de capa do roteiro Bariloche em 6 dias: Cerro Catedral, Circuito Chico e os lagos da Patagônia

Seis dias em Bariloche cobrindo o Cerro Catedral na temporada de neve, o Circuito Chico com o Cerro Campanario, a Isla Victoria, o bate-volta a Villa La Angostura e a Ruta de los Siete Lagos. Explica o que muda entre inverno e verão, quanto custa esquiar de verdade e como levar dinheiro para a Argentina.

Mapa do roteiro

Dia 1 – Chegada, centro cívico e o primeiro chocolate

Bariloche fica na Patagônia argentina, às margens do Lago Nahuel Huapi e dentro do parque nacional de mesmo nome, o mais antigo do país. Tem voos diretos de São Paulo e Buenos Aires; o aeroporto fica a cerca de 15 km do centro.

O Centro Cívico é o coração da cidade, construído em pedra e madeira no estilo alpino que define a arquitetura local. A herança suíça e alemã da colonização ta em tudo, no chalé, no chocolate, na cerveja e nos sobrenomes. A praça central tem vista pro lago e é o ponto de encontro da cidade.

A Calle Mitre concentra as chocolaterias, e isso não é folclore: Bariloche produz chocolate artesanal desde os anos 1940 e é a referência argentina no assunto. Rapa Nui, Mamuschka e Abuela Goye são as casas mais conhecidas. Prove o chocolate quente com submarino, uma barra de chocolate que derrete no leite quente, e que é uma instituição por lá.

Sobre dinheiro, e isso importa: leva dólares ou reais em especie e troca em casas de cambio locais, ou usa as opções de cambio recomendadas na sua data de viagem. As regras e cotações na Argentina mudam com frequência, então pesquisa a situação atual poucos dias antes de viajar, a diferença entre a melhor e a pior forma de pagar pode ser grande. Cartão funciona, mas nem sempre com a melhor taxa.

O primeiro dia é curto de propósito: a altitude do centro é baixa, mas a viagem cansa e os dias seguintes são longos.

Dia 2 – Cerro Catedral: neve, esqui e a vista do topo

O Cerro Catedral fica a cerca de 20 km do centro e é o maior complexo de esqui da América do Sul, com dezenas de pistas e mais de 30 meios de elevação. O nome vem das formações rochosas pontiagudas no topo, que lembram torres de catedral.

A temporada de neve vai aproximadamente de meados de junho a começo de outubro, com o pico em julho e agosto. Fora dela, o cerro continua aberto e vale a subida pela vista e pelas trilhas, mas sem neve.

Pra quem vai esquiar pela primeira vez, o custo real é a soma de quatro coisas: o passe de acesso aos meios de elevação, o aluguel do equipamento completo, a aula com instrutor e a roupa termica. Contando tudo, é o dia mais caro da viagem, e pular a aula é o erro clássico: sem instrução vc passa o dia caindo e não aproveita nada. Um ou dois dias de aula em grupo resolvem o básico.

Aluga o equipamento nas lojas do centro de Bariloche, e não na base do cerro: sai bem mais barato e a fila é menor. Reserva na véspera.

Quem não vai esquiar tem programa: a subida de cabine ou telecabina até a área do mirante, no alto, com vista pro Nahuel Huapi e a cadeia de montanhas. Tem restaurantes na base e no meio da montanha, e o parque de neve pra trenó e boneco de neve funciona pra familias.

Roupa: camada termica junto ao corpo, camada intermediária de lã ou fleece e casaco impermeável por fora. Luva impermeável, gorro e óculos de sol ou máscara são obrigatórios, o reflexo do sol na neve queima a pele e a vista mais do que na praia. Passa protetor solar mesmo no frio.

Dia 3 – Circuito Chico, Cerro Campanario e Puerto Pañuelo

O Circuito Chico é o passeio clássico de Bariloche: cerca de 60 km de estrada asfaltada contornando peninsulas e lagos, com mirantes o tempo todo. Da pra fazer de carro alugado, em excursão ou de bicicleta, se vc tiver preparo, tem subidas.

A primeira parada é o Cerro Campanario, no quilometro 17. Um teleférico curto sobe até um mirante a cerca de 1.050 metros, de onde se vê o Nahuel Huapi, o Lago Perito Moreno, a Peninsula Llao Llao e as montanhas ao fundo. Essa vista já foi listada entre as mais bonitas do mundo por publicações de viagem, e é justo: é a fotografia que resume a Patagônia dos lagos. Sobe de manhã, com o sol atrás de vc.

Seguindo o circuito, vem o Hotel Llao Llao, construído em 1938 em madeira e pedra num promontório entre dois lagos. Não é preciso se hospedar pra conhecer: da pra tomar um café no bar ou apenas fotografar de fora, e a capela San Eduardo, ali perto, é uma joia de arquitetura em madeira.

O Puerto Pañuelo é de onde saem os barcos pra Isla Victoria e o Bosque de Arrayanes. Se quiser fazer esse passeio, reserva pra outro dia inteiro, ele consome de 5 a 7 horas.

O circuito ainda passa pelo Punto Panorámico, pela Bahía López e pelo Lago Escondido. Reserva o dia todo e para em tudo. Se estiver de carro, enche o tanque antes: tem poucos postos no percurso.

No fim da tarde, a Cervecería Patagonia, na beira do lago, tem um deque com vista que é o melhor lugar da região pra ver o sol se pôr atrás das montanhas.

Dia 4 – Isla Victoria e o Bosque de Arrayanes

Passeio de barco de dia inteiro saindo do Puerto Pañuelo. O destino são duas paradas dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi.

A Isla Victoria é a maior ilha do lago, com trilhas curtas entre coniferas altissimas plantadas no começo do século 20 e praias de pedra. A ilha tem história curiosa: funcionou como viveiro florestal e por isso concentra espécies exóticas que não existem no resto do parque.

A segunda parada é o Bosque de Arrayanes, na Peninsula de Quetrihué, e é o motivo real do passeio. O arrayán é uma árvore de casca lisa, fria ao toque e de cor canela avermelhada, sem cortiça. Bosques puros dessa espécie são raríssimos, e este é o mais conhecido do mundo. A passarela de madeira atravessa o bosque inteiro e a sensação de andar por ali, com todos os troncos daquela cor, é diferente de qualquer floresta que a gente já tinha visto.

Corre a história de que Walt Disney teria se inspirado nesse bosque pro cenário de Bambi. A administração do parque afirma que não tem comprovação, e vale dizer isso com honestidade, é uma boa lenda local, não um fato.

Detalhes praticos: o passeio é longo e o lago pode ficar agitado, então quem enjoa deve tomar remédio antes de embarcar. Leva casaco corta-vento mesmo no verão, pq no convés venta muito. E confirma se o preço inclui a taxa de entrada do parque nacional, que às vezes é cobrada à parte.

Uma alternativa mais curta é chegar ao Bosque de Arrayanes por Villa La Angostura, com caminhada de cerca de 12 km na peninsula ou barco direto de lá.

Dia 5 – Ruta de los Siete Lagos até Villa La Angostura

A Ruta de los Siete Lagos é um dos trechos de estrada mais bonito da Argentina: cerca de 110 km entre Villa La Angostura e San Martín de los Andes, pela Ruta Nacional 40, passando por sete lagos de água azul-esverdeada cercados por floresta andino-patagônica e montanhas.

De Bariloche até Villa La Angostura são cerca de 80 km. Se vc fizer o percurso completo até San Martín de los Andes e voltar, o dia inteiro se vai, são mais de 400 km somados, o que é viável mas cansativo. Uma alternativa é ir só até o Lago Espejo e o Lago Correntoso e voltar com calma, o que já entrega a essência da paisagem.

Os lagos do circuito incluem Espejo, Correntoso, Escondido, Villarino, Falkner, Machónico e Lácar. O Correntoso é ligado ao Nahuel Huapi por um rio de poucos metros, considerado um dos mais curtos do mundo.

Villa La Angostura merece a parada: é um vilarejo de casas de madeira, muito arrumado, com boas confeitarias e lojas de artesanato. É a versão pequena e sossegada de Bariloche.

Atenção ao inverno: entre junho e setembro, trechos da Ruta 40 podem exigir corrente pra pneu ou serem fechados por neve. Consulta a condição da estrada na manhã do dia e não encara esse trajeto com previsão de nevasca. No verão, a estrada ta aberta e é uma das melhores viagens de carro do continente.

Abastece em Villa La Angostura antes de seguir: os postos ficam distantes uns dos outros.

Dia 6 – Cerro Otto, compras e a volta

Pro último dia, algo perto da cidade. O Cerro Otto fica a poucos quilometros do centro e tem teleférico até o topo, onde tem um café giratório com vista de 360 graus sobre o lago, a cidade e as montanhas. É a melhor vista panoramica acessível sem esforço da região.

Outra opção é o Cerro Llao Llao, com trilha curta e bem sinalizada, ou a Colonia Suiza, um vilarejo próximo onde às quartas e domingos acontece a feira artesanal e se prepara o curanto, comida cozida no chão sobre pedras quentes, tradição trazida pelos colonos e de origem mapuche. Se sua viagem coincidir com o dia do curanto, vai.

Pra compras, além do chocolate, Bariloche vende bons artigos de couro, lã e prata. As cervejarias artesanais da região também rendem lembranças, e a cerveja da Patagônia argentina é boa de verdade.

Quando ir:

Inverno, de junho a setembro. É a temporada de neve, com o Cerro Catedral funcionando plenamente. É também a alta temporada, com preços mais altos, cidade cheia de brasileiros e necessidade de reservar tudo com meses de antecedência.

Verão, de dezembro a março. Sem neve, mas com dias longos, temperatura agradável e todas as trilhas, lagos e estradas abertas. É a melhor época pra Ruta de los Siete Lagos e pra atividades ao ar livre, e custa bem menos.

Outono, em abril e maio. As folhas de lenga e ñire ficam vermelhas e douradas nas encostas, a cidade esvazia e os preços caem. É a época mais bonita pra fotografar e a nossa preferida.

Documento: brasileiros entram na Argentina com RG em bom estado ou passaporte. Confirma a exigência atual antes de viajar, e leva o passaporte se o seu RG for antigo.

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