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Campos do Jordão em 4 dias: a Suíça brasileira na Mantiqueira

Campos do Jordão, São Paulo · 4 dia(s) · Orçamento: R$ 2.600,00 · por Olimpia Maria

A gente passou 4 dias na cidade mais alta do Brasil e conta aqui como foi: a Vila Capivari no fim da tarde, o verde do Horto Florestal, a vista do Pico do Itapeva e os jardins do Amantikir. Tem também o que achamos que vale ingresso (e o que dá para pular), por que julho pesa no bolso e a verdade sobre a tal neve que todo mundo pergunta.

Dia 1 – Chegada e a primeira volta na Vila Capivari

A gente subiu a serra de carro saindo de São Paulo: são cerca de 170 km, umas 2h30 pela Rodovia Carvalho Pinto e depois pela SP-123, uma estrada sinuosa e bonita que já vai dando o clima da viagem. Campos do Jordão ta a 1.628 metros de altitude, o municipio mais alto do Brasil, e a gente sentiu o ar ficar diferente na primeira curva.

A Vila Capivari é o coração turistico da cidade, uma área compacta de restaurantes, chocolaterias, cervejarias e lojinhas, toda em estilo alpino, é daí que vem o apelido de Suíça brasileira. Uma coisa que a gente achou curiosa: essa arquitetura é uma escolha estetica do século 20, não herança de colonização suíça. O povoamento original tem outra história, ligada aos sanatórios de tuberculose que se instalaram por aqui por causa do clima seco de montanha.

O melhor programa do primeiro dia é simples: caminhar pela Vila no fim da tarde, quando as luzes acendem e o frio aperta. A gente terminou a noite dividindo um fondue, mas um chocolate quente já resolve muito bem, é o programa mais tradicional da cidade por um motivo.

Se chegar cedo, o Morro do Elefante fica a poucos minutos: da pra subir de teleférico ou de carro até um mirante com vista ampla do vale. Fomos de teleférico e achamos um jeito gostoso de estrear a viagem.

Dia 2 – Horto Florestal e a água gelada da Ducha de Prata

O segundo dia foi de verde. O Parque Estadual de Campos do Jordão, que todo mundo chama de Horto Florestal, é a maior área natural do municipio: quase 8.300 hectares de mata atlantica de altitude misturada com araucárias, a 13 km do centro.

Lá dentro tem trilhas de vários niveis, cachoeiras, um lago com pedalinhos e uma pequena ferrovia. A gente viu macacos-prego e tucanos sem muito esforço, e dizem que o esquilo-caxinguelê aparece bastante também. A entrada é cobrada, mas o valor é modesto, e a visita rende meio dia tranquilo, sem pressa nenhuma.

Na volta, parada clássica: a Ducha de Prata, uma queda d'água canalizada onde o pessoal se molha. Seja honesto com vc mesmo antes de entrar, pq a água é gelada de verdade. É um atrativo simples e bem turistico, mas faz parte da tradição da cidade, e a gente se divertiu vendo a coragem alheia.

À tarde, o Palácio Boa Vista, residência oficial de inverno do governador de São Paulo. Ele abre à visitação só em dias determinados, então confirma antes de ir, a entrada é gratuita e guarda um acervo bonito, com obras de Portinari, Di Cavalcanti e Anita Malfatti. Valeu muito a pena.

Dia 3 – Pico do Itapeva de manhã, Amantikir à tarde

Aqui vale organizar o dia pelo clima. O Pico do Itapeva fica a 1.950 metros e tem a vista mais impressionante da região: em dia limpo da pra ver o Vale do Paraíba inteiro e, ao longe, a Serra do Mar. O acesso é por estrada, e lá em cima tem uma estrutura pequena com café e mirantes.

O detalhe que muda tudo: vai pela manhã. A partir do meio-dia a neblina costuma subir, e a chance de encontrar o vale coberto de nuvens aumenta muito à tarde. A gente acordou cedo, pegou o vale completamente aberto e ficou um tempão só olhando.

À tarde, os Jardins de Amantikir: cerca de 30 jardins tematicos inspirados em diferentes países, espalhados num terreno de encosta muito bem cuidado. É uma das atrações mais bem avaliadas da cidade, e a gente entendeu o pq, pra quem gosta de fotografia e paisagismo, rende horas.

Sobre as outras atrações pagas da região (teleférico, parques tematicos, museus de motocicletas), a qualidade varia bastante. Nossa estratégia foi escolher poucas e boas em vez de tentar fazer tudo, pq os ingressos somam rápido. No fim das contas, o que ficou na memória foram justamente os lugares de graça ou quase.

Dia 4 – Café colonial, compras e a volta pra casa

A manhã do último dia a gente reservou pro café colonial, tradição forte na serra: mesa farta com pães, cucas, geleias, embutidos, queijos e chocolate quente. Substitui o almoço com folga, então já planeja o dia sabendo disso.

Depois veio a parte perigosa pro bolso: as compras. Campos do Jordão é conhecida pelas malharias (a cidade tem produção forte de tricô), pelos chocolates artesanais e pelas cervejarias locais. A Baden Baden é a mais tradicional e oferece tour com degustação; a gente fez e achou um programa melhor do que esperava.

Se sobrar tempo antes da estrada, o Bosque do Silêncio e o Parque Capivari são opções leves e perto do centro.

Agora, o ponto que mais afeta o orçamento: quando ir. Julho é o mês do Festival de Inverno, com a cidade lotada e diárias que chegam a triplicar. Junho e agosto entregam frio parecido, com preços e movimento bem menores, foi a nossa escolha e não tem erro. De setembro a novembro o clima fica ameno e a cidade, vazia.

E um esclarecimento que a gente repete pra todo mundo: não neva em Campos do Jordão. Acontecem geadas e temperaturas negativas nas madrugadas de inverno, mas neve é fenomeno raríssimo e não deve ser esperado. Vai pelo friozinho, não pela neve.

Lista de bagagem

Roupas

Calçados

Saúde

Diversos

Eletrônicos

Dinheiro

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