Chapada dos Veadeiros em 5 dias: cachoeiras, cânions e o Vale da Lua
Cinco dias entre Alto Paraíso, São Jorge e Cavalcante, com as trilhas dos Saltos e dos Cânions dentro do parque nacional, o Vale da Lua, a Catarata dos Couros e a Santa Bárbara. O roteiro explica o que precisa de agendamento, o que exige guia e por que a ordem dos dias muda conforme a época do ano.
Mapa do roteiro
Dia 1 – Brasília, a subida para Alto Paraíso e o pôr do sol no Mirante
A porta de entrada é Brasília. São cerca de 230 km até Alto Paraíso de Goiás pela BR-010 e depois pela GO-118, e a gente levou umas 3h30 dirigindo sem pressa. A estrada é boa, mas os últimos quilômetros têm trechos com buracos e muito gado nas margens — evite fazer esse trajeto à noite.
A subida para a chapada é sentida no corpo: Alto Paraíso está a cerca de 1.200 metros, e à noite a temperatura cai bem mais do que se espera de Goiás. Já na chegada dá para perceber o cerrado de altitude, com árvores retorcidas de casca grossa, capim dourado e afloramentos de quartzo por todo lado — a região fica sobre uma das formações rochosas mais antigas do planeta.
Alto Paraíso é a cidade com mais estrutura da região: pousadas, restaurantes, agências e caixas eletrônicos. São Jorge, a vila a 36 km, fica colada no parque e tem clima de vilarejo, com ruas de terra e sem banco. A escolha entre as duas define o resto da viagem. A gente ficou em Alto Paraíso pela estrutura e aceitou os deslocamentos diários.
Para fechar o primeiro dia, o Mirante da Janela e os mirantes ao longo da GO-239 rendem um pôr do sol muito bonito sobre o vale, com quase nenhum esforço. É também a hora de resolver a parte burocrática: confirme o agendamento das trilhas do parque, contrate guia para o que exigir e abasteça o carro. Combustível fica mais caro e mais escasso conforme você se afasta.
A subida para a chapada é sentida no corpo: Alto Paraíso está a cerca de 1.200 metros, e à noite a temperatura cai bem mais do que se espera de Goiás. Já na chegada dá para perceber o cerrado de altitude, com árvores retorcidas de casca grossa, capim dourado e afloramentos de quartzo por todo lado — a região fica sobre uma das formações rochosas mais antigas do planeta.
Alto Paraíso é a cidade com mais estrutura da região: pousadas, restaurantes, agências e caixas eletrônicos. São Jorge, a vila a 36 km, fica colada no parque e tem clima de vilarejo, com ruas de terra e sem banco. A escolha entre as duas define o resto da viagem. A gente ficou em Alto Paraíso pela estrutura e aceitou os deslocamentos diários.
Para fechar o primeiro dia, o Mirante da Janela e os mirantes ao longo da GO-239 rendem um pôr do sol muito bonito sobre o vale, com quase nenhum esforço. É também a hora de resolver a parte burocrática: confirme o agendamento das trilhas do parque, contrate guia para o que exigir e abasteça o carro. Combustível fica mais caro e mais escasso conforme você se afasta.
Dia 2 – Parque Nacional: trilha dos Saltos do Rio Preto
Dia principal da viagem. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros tem entrada pela portaria em São Jorge e trabalha com número limitado de visitantes por dia. O agendamento é feito pela internet, com antecedência, e não adianta aparecer na portaria sem ele em alta temporada — a gente viu gente voltando.
A trilha dos Saltos do Rio Preto é a mais clássica. São cerca de 11 km ida e volta, em terreno aberto de cerrado rupestre, com pouca sombra e muita pedra solta. O ponto alto são duas quedas: o Salto I, com cerca de 120 metros, e o Salto II, com cerca de 80 metros, este último com um poço enorme onde dá para nadar. A caminhada até o mirante do Salto I é a parte mais puxada, com descida em degraus irregulares.
Algumas coisas que fizeram diferença para a gente: sair logo na abertura da portaria, porque o sol do cerrado a partir das 10h castiga de verdade; levar pelo menos dois litros de água por pessoa, já que não há venda de nada dentro do parque; e usar calçado com solado firme, porque o piso é irregular do começo ao fim.
A água do Rio Preto é gelada e tem cor de chá — é o tanino da vegetação do cerrado, não sujeira. Reserve pelo menos 5 a 6 horas para a trilha inteira com paradas para banho. Na volta, o almoço em São Jorge cai muito bem antes de encarar a estrada de terra de novo.
A trilha dos Saltos do Rio Preto é a mais clássica. São cerca de 11 km ida e volta, em terreno aberto de cerrado rupestre, com pouca sombra e muita pedra solta. O ponto alto são duas quedas: o Salto I, com cerca de 120 metros, e o Salto II, com cerca de 80 metros, este último com um poço enorme onde dá para nadar. A caminhada até o mirante do Salto I é a parte mais puxada, com descida em degraus irregulares.
Algumas coisas que fizeram diferença para a gente: sair logo na abertura da portaria, porque o sol do cerrado a partir das 10h castiga de verdade; levar pelo menos dois litros de água por pessoa, já que não há venda de nada dentro do parque; e usar calçado com solado firme, porque o piso é irregular do começo ao fim.
A água do Rio Preto é gelada e tem cor de chá — é o tanino da vegetação do cerrado, não sujeira. Reserve pelo menos 5 a 6 horas para a trilha inteira com paradas para banho. Na volta, o almoço em São Jorge cai muito bem antes de encarar a estrada de terra de novo.
Dia 3 – Vale da Lua de manhã, trilha dos Cânions à tarde
O Vale da Lua fica em propriedade particular, na estrada entre Alto Paraíso e São Jorge, com entrada paga à parte do parque. São formações de rocha esculpidas pela água do Rio São Miguel ao longo de milhões de anos, cheias de cavidades arredondadas e curvas lisas — daí o nome. A caminhada da portaria até o vale é curta, cerca de 700 metros.
Um aviso que a gente leva a sério: nunca visite o Vale da Lua em dia de chuva forte, nem se houve chuva na cabeceira do rio. O leito é estreito e a água sobe muito rápido. Já houve acidentes graves ali. Se o tempo virar, deixe para outro dia — não vale o risco.
As pedras são escorregadias mesmo secas, então vá devagar e evite carregar câmera na mão em trechos de travessia. A luz da manhã, entrando de lado nas formações, é a melhor para fotografar.
À tarde, a trilha dos Cânions e Cariocas, também dentro do parque nacional e com agendamento próprio. São cerca de 12 km ida e volta, mas o terreno é mais plano que o dos Saltos. O Cânion II, quando está aberto à visitação, é um paredão estreito com o rio correndo entre as paredes — a paisagem mais impressionante do parque, na nossa opinião. A abertura do Cânion II depende do nível da água e pode estar fechada; confirme na portaria no dia.
Se o dia render, a Cachoeira das Cariocas, no mesmo circuito, é uma sequência de quedas menores com poços rasos, ótima para terminar a tarde sem esforço.
Um aviso que a gente leva a sério: nunca visite o Vale da Lua em dia de chuva forte, nem se houve chuva na cabeceira do rio. O leito é estreito e a água sobe muito rápido. Já houve acidentes graves ali. Se o tempo virar, deixe para outro dia — não vale o risco.
As pedras são escorregadias mesmo secas, então vá devagar e evite carregar câmera na mão em trechos de travessia. A luz da manhã, entrando de lado nas formações, é a melhor para fotografar.
À tarde, a trilha dos Cânions e Cariocas, também dentro do parque nacional e com agendamento próprio. São cerca de 12 km ida e volta, mas o terreno é mais plano que o dos Saltos. O Cânion II, quando está aberto à visitação, é um paredão estreito com o rio correndo entre as paredes — a paisagem mais impressionante do parque, na nossa opinião. A abertura do Cânion II depende do nível da água e pode estar fechada; confirme na portaria no dia.
Se o dia render, a Cachoeira das Cariocas, no mesmo circuito, é uma sequência de quedas menores com poços rasos, ótima para terminar a tarde sem esforço.
Dia 4 – Cavalcante e a Cachoeira Santa Bárbara, no território Kalunga
Este é o dia que exige mais planejamento, e foi o nosso preferido. A Cachoeira Santa Bárbara fica no território quilombola Kalunga, na comunidade Engenho II, a cerca de 25 km de Cavalcante. De Alto Paraíso até Cavalcante são aproximadamente 90 km por asfalto, e os últimos quilômetros até a comunidade são de estrada de terra.
A visita é obrigatoriamente acompanhada por um guia local da própria comunidade, e isso não é burocracia: é o que garante renda para os Kalunga, que são descendentes de quilombolas e mantêm o território há mais de dois séculos. Contratar o guia local é parte do passeio, não um custo a evitar.
A Santa Bárbara é conhecida pela cor da água, um azul-turquesa intenso que vem dos minerais dissolvidos no leito. A caminhada é curta, cerca de 1 km, com um trecho final de descida. Como é área de preservação, é proibido usar protetor solar comum, repelente ou qualquer produto químico antes de entrar na água — leve protetor biodegradável e passe bem antes, ou não passe.
No mesmo circuito ficam a Cachoeira Capivara e a Candaru, que podem ser combinadas no mesmo dia se você sair cedo de Alto Paraíso. A gente fez Santa Bárbara e Capivara e voltou no fim da tarde, exausta e satisfeita.
O dia é longo: saia antes das 7h. E confirme a condição da estrada de terra na véspera, principalmente entre novembro e março, quando alguns trechos ficam intransitáveis para carro baixo.
A visita é obrigatoriamente acompanhada por um guia local da própria comunidade, e isso não é burocracia: é o que garante renda para os Kalunga, que são descendentes de quilombolas e mantêm o território há mais de dois séculos. Contratar o guia local é parte do passeio, não um custo a evitar.
A Santa Bárbara é conhecida pela cor da água, um azul-turquesa intenso que vem dos minerais dissolvidos no leito. A caminhada é curta, cerca de 1 km, com um trecho final de descida. Como é área de preservação, é proibido usar protetor solar comum, repelente ou qualquer produto químico antes de entrar na água — leve protetor biodegradável e passe bem antes, ou não passe.
No mesmo circuito ficam a Cachoeira Capivara e a Candaru, que podem ser combinadas no mesmo dia se você sair cedo de Alto Paraíso. A gente fez Santa Bárbara e Capivara e voltou no fim da tarde, exausta e satisfeita.
O dia é longo: saia antes das 7h. E confirme a condição da estrada de terra na véspera, principalmente entre novembro e março, quando alguns trechos ficam intransitáveis para carro baixo.
Dia 5 – Catarata dos Couros, cerrado e a volta
Para o último dia, a gente escolheu algo mais leve e perto da estrada de volta. A Catarata dos Couros fica no caminho entre Alto Paraíso e a região de Teresina de Goiás, com acesso por estrada de terra. É um conjunto de quedas e poços no Rio dos Couros, com paredões largos e uma paisagem bem diferente das cachoeiras estreitas do parque.
O acesso é por propriedades particulares, com entrada cobrada, e a estrutura varia bastante de um ponto para outro. A vantagem é que costuma ter muito menos gente do que as atrações principais, então dá para passar uma manhã inteira quase sozinho.
Antes de descer a serra, vale parar em algum dos mirantes da GO-118 para ver o cerrado de cima. Se estiver entre junho e setembro, você vai notar o capim dourado — a planta é usada no artesanato típico da região e sua coleta é regulamentada, com período definido por lei. Comprar artesanato de capim dourado direto das comunidades é uma boa lembrança e sustenta quem vive disso.
Sobre quando ir: a estação seca, de maio a setembro, tem céu limpo, trilhas firmes e é a melhor época para caminhar — mas as cachoeiras ficam com menos volume. De outubro a abril chove, o volume das quedas impressiona, e várias trilhas e estradas de terra podem fechar sem aviso. A gente foi em agosto e não trocaria.
Último conselho prático: não conte com sinal de celular fora das cidades, e leve dinheiro em espécie. Muita coisa por lá, especialmente nas comunidades, não aceita cartão.
O acesso é por propriedades particulares, com entrada cobrada, e a estrutura varia bastante de um ponto para outro. A vantagem é que costuma ter muito menos gente do que as atrações principais, então dá para passar uma manhã inteira quase sozinho.
Antes de descer a serra, vale parar em algum dos mirantes da GO-118 para ver o cerrado de cima. Se estiver entre junho e setembro, você vai notar o capim dourado — a planta é usada no artesanato típico da região e sua coleta é regulamentada, com período definido por lei. Comprar artesanato de capim dourado direto das comunidades é uma boa lembrança e sustenta quem vive disso.
Sobre quando ir: a estação seca, de maio a setembro, tem céu limpo, trilhas firmes e é a melhor época para caminhar — mas as cachoeiras ficam com menos volume. De outubro a abril chove, o volume das quedas impressiona, e várias trilhas e estradas de terra podem fechar sem aviso. A gente foi em agosto e não trocaria.
Último conselho prático: não conte com sinal de celular fora das cidades, e leve dinheiro em espécie. Muita coisa por lá, especialmente nas comunidades, não aceita cartão.
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