Pular para o conteúdo

Curitiba e Ilha do Mel em 5 dias: parques, o trem da Serra do Mar e uma ilha sem carros

Curitiba, Paraná 5 dia(s) Cidade R$ 3.400,00
Avatar de Marcos Oliveirapor Marcos Oliveira15/09/20260 visualizações
Imprimir / PDF
Foto de capa do roteiro Curitiba e Ilha do Mel em 5 dias: parques, o trem da Serra do Mar e uma ilha sem carros

Cinco dias combinando a Curitiba dos parques e museus com a descida de trem pela Serra do Mar até Morretes, o barreado em Antonina e dois dias na Ilha do Mel, onde não circula nenhum carro. Explica como encaixar o trem, a barca e a maré sem perder um dia inteiro em conexão.

Mapa do roteiro

Dia 1 – Curitiba a pé: centro histórico, Rua XV e Jardim Botânico

Curitiba é uma cidade boa de andar, e o primeiro dia funciona melhor a pé e de ônibus. O sistema de transporte da cidade, com as estações-tubo e os corredores exclusivos de ônibus, foi copiado por dezenas de cidades pelo mundo, vale usá-lo em vez de aplicativo, nem que seja pela experiência.

Começa pelo Largo da Ordem, no centro historico, com casario dos séculos 18 e 19, a Igreja da Ordem e o Relógio das Flores. Se vc tiver na cidade num domingo, a Feira do Largo da Ordem ocupa as ruas de manhã com artesanato, comida e musica, é o programa mais curitibano que existe e vale organizar o roteiro em volta dele.

A Rua XV de Novembro, conhecida como Rua das Flores, foi o primeiro calçadão exclusivo pra pedestres do Brasil, inaugurado em 1972. A história local conta que a obra foi feita em um fim de semana, às pressas, pra evitar reação dos comerciantes, e que na segunda-feira as crianças foram pintar o chão pra impedir que os carros voltassem.

À tarde, o Jardim Botânico, cartão-postal da cidade, com a estufa de estrutura metálica e vidro inspirada nos palácios de cristal do século 19 e os jardins geometricos à francesa. É bonito o ano todo, mas fica espetacular na primavera.

O clima merece um aviso: Curitiba fica a cerca de 930 metros de altitude e tem fama merecida de tempo instável. Pode fazer sol, chuva e frio no mesmo dia, em qualquer estação. Leva casaco e guarda-chuva mesmo em pleno verão, a gente ignorou isso e se arrependeu.

Dia 2 – Museu Oscar Niemeyer, Ópera de Arame e parques

Dia dos icones arquitetonicos. O Museu Oscar Niemeyer, apelidado de Museu do Olho pelo formato do anexo suspenso, é o maior museu de arte da América Latina em área expositiva. O prédio principal é dos anos 1960 e o olho foi acrescentado em 2002, quando Niemeyer tinha 95 anos. Reserva pelo menos duas horas e confere a programação de exposições temporárias antes de ir.

A Ópera de Arame fica dentro do Parque das Pedreiras, numa antiga pedreira desativada, e é uma estrutura tubular de metal e vidro cercada por lago e mata. Foi construída em dois meses, em 1992. Do lado, o Espaço Cultural Paulo Leminski recebe grandes shows ao ar livre. Mesmo sem espetáculo, a visita compensa.

Bem perto ficam o Parque Tanguá, também instalado em antigas pedreiras, com um mirante sobre um lago e um túnel atrás de uma cascata, e o Parque Barigui, o mais frequentado pelos moradores, onde capivaras circulam soltas, ve-las de perto é praticamente garantido.

Outra parada boa é o Bosque Alemão, com a trilha e a Torre dos Filósofos, e o Bosque do Papa, que homenageia a imigração polonesa com casas de madeira originais do século 19.

Pra comer, procura um restaurante polonês ou ucraniano: a imigração eslava é forte no Paraná e o pierogi feito por aqui é excelente. À noite, os bairros de Batel e Água Verde concentram a melhor cena de bares e restaurantes da cidade.

Deixa tudo pronto pra acordar cedo: o trem do dia seguinte não espera.

Dia 3 – Trem da Serra do Mar até Morretes e o barreado

Este é o dia mais bonito do roteiro. A Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba foi inaugurada em 1885 e é considerada uma das obras de engenharia ferroviária mais impressionante do país: são cerca de 110 km com dezenas de túneis, pontes e viadutos escavados na Serra do Mar, construídos com tecnica manual e um custo humano enorme.

O trajeto turistico vai de Curitiba a Morretes e leva por volta de 4 horas na descida. A paisagem alterna vale, mata atlantica preservada, cachoeiras e trechos em que o trilho corre na beira do abismo. O Viaduto Carvalho e a Ponte São João são os pontos mais fotografados.

Dicas praticas que fazem diferença: compra a passagem com bastante antecedência, pq esgota; escolhe assento do lado esquerdo no sentido Curitiba-Morretes, que é o lado do vale; e prefere dia de tempo firme, pq em dia de neblina fechada vc não vê nada, o que acontece com frequência na serra. Existem categorias de vagão diferentes, do economico ao panoramico com guia; o intermediário costuma ser o melhor custo-beneficio.

Em Morretes, o programa é o barreado. É um cozido de carne bovina preparado por 12 a 20 horas numa panela de barro selada com farinha, tradição dos tropeiros do litoral paranaense. Serve-se com farinha de mandioca, banana e arroz, e a forma correta é misturar tudo. É pesado e delicioso.

A volta pode ser de van pela Estrada da Graciosa, uma estrada historica sinuosa com mirantes, muita gente faz trem na ida e Graciosa na volta, o que a gente recomenda. Antonina, a poucos quilometros, é uma cidade portuária decadente e charmosa que vale a parada se tiver tempo.

Dia 4 – Travessia para a Ilha do Mel: Encantadas, farol e Fortaleza

A Ilha do Mel fica na entrada da Baía de Paranaguá e é área de proteção ambiental com numero limitado de visitantes por dia, em alta temporada, a cota se esgota. As barcas saem de Pontal do Paraná e de Paranaguá, e a travessia leva de 30 minutos a 1h30, conforme a origem e o destino.

O detalhe que define a viagem: não tem carros na ilha. Nenhum. Também não tem bancos, farmácia grande nem caixa eletronico confiável. Tudo se faz a pé, por trilhas de areia e mata, e a bagagem vai nas suas costas. Leva mochila, não mala com rodinha, e dinheiro em especie suficiente pros dias.

A ilha tem dois núcleos. Encantadas, ao sul, é mais movimentada, com bares, musica e clima jovem. Nova Brasília, ao norte, é mais tranquila e fica perto do Farol das Conchas. Escolher onde dormir muda bastante a experiência, e atravessar de um núcleo ao outro leva cerca de 1h30 de caminhada pela praia ou uma barca curta.

O Farol das Conchas foi construído em 1872 com material britanico e fica no alto de um morro com escadaria. A vista do topo abre pra ilha inteira e pra baía. Vai no fim da tarde.

A Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, do século 18, foi erguida pra defender a entrada da baía e ainda tem canhões voltados pro mar. É a outra visita historica da ilha.

Em Encantadas, a Gruta das Encantadas é uma caverna marinha na ponta sul, acessível na maré baixa, com uma lenda de sereias que da nome ao lugar. Confere a maré antes de ir.

Dia 5 – Praias da ilha, trilha do Encantadas e a volta

Último dia pras praias. A Praia de Fora e a Praia Grande, voltadas pro mar aberto, tem ondas boas e são as preferidas de quem surfa. A Praia do Farol e a Praia da Fortaleza são mais calmas e melhores pra banho tranquilo.

A trilha entre Encantadas e Nova Brasília cruza a ilha por dentro e pela orla, com cerca de 6 km e trechos de areia fofa e costão rochoso. Não é dificil, mas exige atenção nas pedras molhadas e é bem mais fácil com maré baixa. Reserva umas 2 horas com paradas.

Organiza a volta com folga. A sequência é: caminhar até o trapiche, esperar a barca, atravessar, pegar o carro ou o ônibus, dirigir até Curitiba, são cerca de 100 km de Pontal do Paraná até a capital. Somando tudo, vc gasta meio dia. Não marca voo no início da tarde.

Um alerta importante: as barcas dependem da condição do mar. Em dia de vento forte ou ressaca, as travessias podem ser suspensas, e não é raro alguém ficar preso na ilha por um dia. Se tiver voo internacional ou compromisso rígido, volta pro continente na véspera.

Quando ir. De dezembro a março é verão, com mar quente, ilha cheia e cota de visitantes esgotando. De abril a junho e de setembro a novembro é o melhor equilibrio: menos gente, preços mais baixos e clima ainda agradável. O inverno é frio e chuvoso no litoral paranaense, e boa parte da estrutura da ilha reduz o funcionamento.

Última observação: leva lanterna. As trilhas e boa parte dos caminhos da ilha não tem iluminação, e o escuro chega cedo.

Lista de bagagem

0 de 14 itens ·

Marque o que já separou — seu progresso fica salvo apenas neste navegador.

Diversos

Dinheiro

Roupas

Calçados

Eletrônicos

Saúde

Documentos

Galeria de fotos

Comentários (0)

Entre na sua conta para comentar.

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!