Jalapão em 6 dias: fervedouros, dunas alaranjadas e estrada de areia
Seis dias no Jalapão saindo de Palmas: os fervedouros onde não se afunda, as dunas cor de laranja ao pôr do sol, as cachoeiras da Velha e do Formiga e a Pedra Furada. O roteiro explica por que 4x4 com motorista local não é luxo e sim necessidade, quanto tempo cada trecho realmente leva e o que muda entre a seca e a chuva.
Mapa do roteiro
Dia 1 – Palmas, o encontro com a expedição e a estrada para Ponte Alta
O Jalapão começa em Palmas, capital do Tocantins e cidade mais recente do Brasil entre as capitais. É de lá que sai praticamente toda expedição.
A primeira decisão define a viagem inteira: ir por conta própria ou fechar pacote com agência. A gente foi de agência e recomenda, e o motivo é pratico. As distancias no Jalapão são grandes, as estradas são de areia fofa, não tem posto de combustível por centenas de quilometros, o sinal de celular praticamente não existe e atolar sozinho ali é problema sério. Carro de passeio simplesmente não passa em vários trechos. Se for por conta, precisa de 4x4 de verdade, galões de combustível, pá, e alguém que conheça o caminho.
O trajeto de Palmas até Ponte Alta do Tocantins, onde muitos roteiros fazem a primeira base, tem cerca de 180 km e leva boa parte do dia quando somadas as paradas. Outra base comum é Mateiros, já dentro do coração do Jalapão, a cerca de 340 km de Palmas, e esse trecho pode levar 7 a 8 horas.
Uma coisa que a gente não esperava: o Jalapão é enorme. A área de proteção soma milhares de quilometros quadrados e as atrações ficam a horas umas das outras. Não existe roteiro de Jalapão em que vc durma em um lugar só e faça tudo em bate-volta. Aceita os deslocamentos como parte do passeio, a paisagem de cerrado aberto pela janela é boa parte da graça.
A primeira decisão define a viagem inteira: ir por conta própria ou fechar pacote com agência. A gente foi de agência e recomenda, e o motivo é pratico. As distancias no Jalapão são grandes, as estradas são de areia fofa, não tem posto de combustível por centenas de quilometros, o sinal de celular praticamente não existe e atolar sozinho ali é problema sério. Carro de passeio simplesmente não passa em vários trechos. Se for por conta, precisa de 4x4 de verdade, galões de combustível, pá, e alguém que conheça o caminho.
O trajeto de Palmas até Ponte Alta do Tocantins, onde muitos roteiros fazem a primeira base, tem cerca de 180 km e leva boa parte do dia quando somadas as paradas. Outra base comum é Mateiros, já dentro do coração do Jalapão, a cerca de 340 km de Palmas, e esse trecho pode levar 7 a 8 horas.
Uma coisa que a gente não esperava: o Jalapão é enorme. A área de proteção soma milhares de quilometros quadrados e as atrações ficam a horas umas das outras. Não existe roteiro de Jalapão em que vc durma em um lugar só e faça tudo em bate-volta. Aceita os deslocamentos como parte do passeio, a paisagem de cerrado aberto pela janela é boa parte da graça.
Dia 2 – Cachoeira da Velha e Prainha do Rio Novo
A Cachoeira da Velha é a mais imponente do Jalapão: uma queda em ferradura no Rio Novo, com cerca de 100 metros de largura, que se ouve muito antes de se ver. O volume de água é impressionante, e existe um mirante construído em plataforma de onde se tem a vista completa da ferradura.
Não se banha na queda em si, a correnteza é forte demais. O banho acontece na Prainha do Rio Novo, a poucos minutos dali: uma faixa de areia branca à beira do rio, com água morna e correnteza mansa, que funciona como praia fluvial. É o contraste que faz o dia: a força da cachoeira de manhã e a calma da prainha à tarde.
O acesso à Cachoeira da Velha é por estrada de terra e tem trecho de caminhada com escadas até o mirante. Nada dificil, mas o sol bate forte e não tem sombra no percurso.
Uma observação que vale pra todo o Jalapão: a água dos rios da região é limpíssima, mas a temperatura varia muito de um ponto pro outro. A do Rio Novo é agradável; a de alguns fervedouros é surpreendentemente gelada. Leva a canga e aceita o susto.
No caminho, se a expedição incluir, vale a parada em alguma comunidade de artesanato de capim dourado. A tecnica é tradicional da região do Jalapão e o material só pode ser colhido em periodo regulamentado, comprar direto de quem produz é a forma honesta de levar uma lembrança.
Não se banha na queda em si, a correnteza é forte demais. O banho acontece na Prainha do Rio Novo, a poucos minutos dali: uma faixa de areia branca à beira do rio, com água morna e correnteza mansa, que funciona como praia fluvial. É o contraste que faz o dia: a força da cachoeira de manhã e a calma da prainha à tarde.
O acesso à Cachoeira da Velha é por estrada de terra e tem trecho de caminhada com escadas até o mirante. Nada dificil, mas o sol bate forte e não tem sombra no percurso.
Uma observação que vale pra todo o Jalapão: a água dos rios da região é limpíssima, mas a temperatura varia muito de um ponto pro outro. A do Rio Novo é agradável; a de alguns fervedouros é surpreendentemente gelada. Leva a canga e aceita o susto.
No caminho, se a expedição incluir, vale a parada em alguma comunidade de artesanato de capim dourado. A tecnica é tradicional da região do Jalapão e o material só pode ser colhido em periodo regulamentado, comprar direto de quem produz é a forma honesta de levar uma lembrança.
Dia 3 – Fervedouros: a água que não deixa afundar
Este é o dia mais divertido e o mais dificil de explicar pra quem não foi. Os fervedouros são nascentes que brotam do subsolo arenoso com pressão suficiente pra impedir que uma pessoa afunde. Vc entra, tenta submergir e a água te devolve pra superficie. A areia no fundo ferve em borbulhas, daí o nome.
O mais conhecido é o Fervedouro do Ceiça, também chamado de Encontro das Águas, com água transparente e um deque estruturado ao redor. Outros bastante visitados são o Bela Vista, o Buritizinho e o Alegre. Cada um tem dono ou é gerido por comunidade, com entrada cobrada à parte, leva dinheiro em especie, pq cartão raramente funciona e sinal pra maquininha, menos ainda.
Duas regras que a gente viu serem cobradas com rigor, e com razão: é proibido entrar com protetor solar, repelente ou qualquer óleo no corpo, pq os produtos contaminam a nascente e formam película na superficie; e tem limite de pessoas na água ao mesmo tempo. Se for usar protetor no dia, passa bem antes e toma banho de chuveiro na estrutura do local antes de entrar.
Da pra visitar dois ou três fervedouros no mesmo dia, dependendo da distância entre eles e da estrada. A luz do meio-dia, por mais forte que seja, é a que mostra melhor a transparência da água e a areia fervendo no fundo, é uma das poucas atrações que ficam melhores fora do começo da manhã.
O mais conhecido é o Fervedouro do Ceiça, também chamado de Encontro das Águas, com água transparente e um deque estruturado ao redor. Outros bastante visitados são o Bela Vista, o Buritizinho e o Alegre. Cada um tem dono ou é gerido por comunidade, com entrada cobrada à parte, leva dinheiro em especie, pq cartão raramente funciona e sinal pra maquininha, menos ainda.
Duas regras que a gente viu serem cobradas com rigor, e com razão: é proibido entrar com protetor solar, repelente ou qualquer óleo no corpo, pq os produtos contaminam a nascente e formam película na superficie; e tem limite de pessoas na água ao mesmo tempo. Se for usar protetor no dia, passa bem antes e toma banho de chuveiro na estrutura do local antes de entrar.
Da pra visitar dois ou três fervedouros no mesmo dia, dependendo da distância entre eles e da estrada. A luz do meio-dia, por mais forte que seja, é a que mostra melhor a transparência da água e a areia fervendo no fundo, é uma das poucas atrações que ficam melhores fora do começo da manhã.
Dia 4 – Dunas do Jalapão ao pôr do sol e a Serra do Espírito Santo
As Dunas do Jalapão são o cartão-postal da região: montes de areia de um laranja intenso, formados pela erosão da Serra do Espírito Santo ao longo de milhares de anos e empurrados pelo vento. A cor vem do oxido de ferro presente na rocha de origem, e é muito mais forte ao vivo do que nas fotos.
A duna principal tem cerca de 40 metros de altura e a subida é curta, mas cansativa, areia fofa devolve metade de cada passo. Sobe descalço, pq a areia esquenta muito durante o dia e chinelo atrapalha mais do que ajuda; no fim da tarde a temperatura já ta confortável.
O programa é o pôr do sol. Do alto se vê a serra de um lado, o cerrado aberto do outro, e a areia muda de tom a cada minuto conforme o sol baixa. É o momento mais bonito da viagem, e todo mundo na duna fica em silêncio quando o sol encosta no horizonte.
Chega com pelo menos uma hora de antecedência: além de garantir lugar, da tempo de subir sem pressa e de ver a luz mudando. Leva água, pq não tem estrutura no local.
Durante o dia, dependendo do roteiro da expedição, da pra incluir a Serra do Espírito Santo e a Cachoeira do Formiga, de água azul-esverdeada e poço raso, uma das mais fotografadas do Jalapão. A areia entra em tudo, câmera, mochila, comida, então leva saco plástico ou estanque pro que for eletronico.
A duna principal tem cerca de 40 metros de altura e a subida é curta, mas cansativa, areia fofa devolve metade de cada passo. Sobe descalço, pq a areia esquenta muito durante o dia e chinelo atrapalha mais do que ajuda; no fim da tarde a temperatura já ta confortável.
O programa é o pôr do sol. Do alto se vê a serra de um lado, o cerrado aberto do outro, e a areia muda de tom a cada minuto conforme o sol baixa. É o momento mais bonito da viagem, e todo mundo na duna fica em silêncio quando o sol encosta no horizonte.
Chega com pelo menos uma hora de antecedência: além de garantir lugar, da tempo de subir sem pressa e de ver a luz mudando. Leva água, pq não tem estrutura no local.
Durante o dia, dependendo do roteiro da expedição, da pra incluir a Serra do Espírito Santo e a Cachoeira do Formiga, de água azul-esverdeada e poço raso, uma das mais fotografadas do Jalapão. A areia entra em tudo, câmera, mochila, comida, então leva saco plástico ou estanque pro que for eletronico.
Dia 5 – Pedra Furada, Cachoeira do Formiga e as travessias de balsa
A Pedra Furada é uma formação rochosa isolada no meio do cerrado, com um vão aberto pela erosão, às margens do Rio Novo. É parada rápida, mas rende uma das fotos mais caracteristicas da viagem, e o entorno, com o rio correndo e a vegetação baixa, é bonito por si só.
A Cachoeira do Formiga tem uma água esverdeada quase artificial de tão nítida, num poço de fundo raso e claro. É das mais tranquilas pra banho e costuma estar cheia por volta do meio-dia, então vale chegar cedo.
Um detalhe que quase ninguém antecipa: as travessias de balsa. Vários trechos do Jalapão cruzam rios em balsas simples, movidas a motor ou puxadas por cabo, que atravessam um veículo por vez. Elas tem horário de funcionamento e param ao anoitecer. Se a expedição atrasa, vc não atravessa, e o desvio por terra pode custar horas. Por isso os guias locais são rigidos com o horário de saída, e vale respeitar.
A outra restrição pratica é combustível. Fora de Palmas, Ponte Alta e Mateiros, praticamente não tem posto. As agências carregam galões, e quem vai por conta precisa fazer o mesmo, com margem generosa.
É também um bom dia pra olhar o céu à noite. Sem cidade grande num raio enorme, a poluição luminosa é quase nula e a Via Láctea aparece a olho nu com uma nitidez que a gente não tinha visto em outro lugar do Brasil.
A Cachoeira do Formiga tem uma água esverdeada quase artificial de tão nítida, num poço de fundo raso e claro. É das mais tranquilas pra banho e costuma estar cheia por volta do meio-dia, então vale chegar cedo.
Um detalhe que quase ninguém antecipa: as travessias de balsa. Vários trechos do Jalapão cruzam rios em balsas simples, movidas a motor ou puxadas por cabo, que atravessam um veículo por vez. Elas tem horário de funcionamento e param ao anoitecer. Se a expedição atrasa, vc não atravessa, e o desvio por terra pode custar horas. Por isso os guias locais são rigidos com o horário de saída, e vale respeitar.
A outra restrição pratica é combustível. Fora de Palmas, Ponte Alta e Mateiros, praticamente não tem posto. As agências carregam galões, e quem vai por conta precisa fazer o mesmo, com margem generosa.
É também um bom dia pra olhar o céu à noite. Sem cidade grande num raio enorme, a poluição luminosa é quase nula e a Via Láctea aparece a olho nu com uma nitidez que a gente não tinha visto em outro lugar do Brasil.
Dia 6 – Volta a Palmas, Praia da Graciosa e o que aprendemos
O último dia é quase todo de estrada de volta a Palmas. Aproveita as paradas: as comunidades ao longo do caminho vendem artesanato de capim dourado, e as pequenas cachoeiras que ficaram de fora do roteiro principal podem ser encaixadas se o horário permitir.
Em Palmas, se sobrar tempo antes do voo, a Praia da Graciosa é uma praia de água doce às margens do lago formado pela usina do Lajeado, com quiosques e boa estrutura. É um fechamento tranquilo depois de dias de estrada de areia.
O que a gente diria pra quem ta planejando:
Quando ir. A melhor janela é a estação seca, de maio a setembro. As estradas de areia ficam firmes, o céu fica limpo e os fervedouros e cachoeiras tão com a água na melhor transparência. De novembro a março chove forte, vários trechos ficam intransitáveis e algumas atrações fecham. Julho é o mês mais concorrido, com preços mais altos e mais gente nas dunas.
Quanto tempo. Menos de 4 dias no Jalapão não compensa, só o deslocamento de ida e volta já come dois. Cinco a seis dias é o ponto em que a viagem deixa de ser corrida.
Dinheiro. Leva especie suficiente pra toda a viagem. Entradas de fervedouros, artesanato e refeições em comunidades funcionam em dinheiro, e caixa eletronico só existe nas cidades maiores.
Expectativa. O Jalapão não é destino de conforto. As pousadas são simples, a energia às vezes é de gerador, o sinal não existe e vc vai passar horas dentro de um carro sacolejando. É exatamente por isso que a paisagem continua daquele jeito.
Em Palmas, se sobrar tempo antes do voo, a Praia da Graciosa é uma praia de água doce às margens do lago formado pela usina do Lajeado, com quiosques e boa estrutura. É um fechamento tranquilo depois de dias de estrada de areia.
O que a gente diria pra quem ta planejando:
Quando ir. A melhor janela é a estação seca, de maio a setembro. As estradas de areia ficam firmes, o céu fica limpo e os fervedouros e cachoeiras tão com a água na melhor transparência. De novembro a março chove forte, vários trechos ficam intransitáveis e algumas atrações fecham. Julho é o mês mais concorrido, com preços mais altos e mais gente nas dunas.
Quanto tempo. Menos de 4 dias no Jalapão não compensa, só o deslocamento de ida e volta já come dois. Cinco a seis dias é o ponto em que a viagem deixa de ser corrida.
Dinheiro. Leva especie suficiente pra toda a viagem. Entradas de fervedouros, artesanato e refeições em comunidades funcionam em dinheiro, e caixa eletronico só existe nas cidades maiores.
Expectativa. O Jalapão não é destino de conforto. As pousadas são simples, a energia às vezes é de gerador, o sinal não existe e vc vai passar horas dentro de um carro sacolejando. É exatamente por isso que a paisagem continua daquele jeito.
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