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Jericoacoara em 6 dias: dunas, lagoas e o pôr do sol mais famoso do Ceará

Jericoacoara, Ceará · 6 dia(s) · Orçamento: R$ 2.400,00 · por Wellington Barboza

Seis dias em Jeri sem pressa: a Duna do Pôr do Sol, a Pedra Furada, as redes dentro da Lagoa do Paraíso e o passeio de buggy até Tatajuba. Traz o passo a passo do traslado desde Fortaleza, quanto custa cada passeio de 4x4 e por que Jeri continua sendo um destino de mochileiro mesmo tendo virado point badalado.

Dia 1 – Fortaleza a Jeri e a Duna do Pôr do Sol

Jericoacoara fica a 300 km de Fortaleza e o trajeto tem duas partes. A primeira é de estrada asfaltada até Jijoca de Jericoacoara (cerca de 4 horas). A segunda são 20 km de areia pura que só um 4x4 atravessa — a jardineira faz esse trecho em uns 40 minutos, sacolejando entre as dunas. O traslado completo custa por volta de R$ 120 a R$ 180 por pessoa.

Desde 2017 existe também o aeroporto de Jericoacoara, em Cruz, que reduz o trajeto para cerca de 1h30.

Jeri é uma vila dentro de um Parque Nacional: as ruas são de areia, não há postes de iluminação na maior parte e carros só circulam com autorização. Isso é parte do charme.

Termine o primeiro dia subindo a Duna do Pôr do Sol, a poucos metros do centro. Centenas de pessoas se reúnem ali todo fim de tarde e, quando o sol toca o mar, vem a salva de palmas. Suba com 40 minutos de antecedência.

Dia 2 – Lagoa do Paraíso e Lagoa Azul

O passeio das lagoas é o mais concorrido de Jeri. As duas ficam em Jijoca, a cerca de 40 minutos de buggy ou 4x4 (R$ 100 a R$ 150 por pessoa).

A Lagoa do Paraíso é a mais bonita: água doce, morna e transparente, com fundo de areia branca e um azul que muda de tom conforme a profundidade. A imagem clássica são as redes armadas dentro da água — vários bares as oferecem mediante consumação. O Rancho do Peixe e o Paraíso do Vento são os mais conhecidos.

A Lagoa Azul, ao lado, é menor e costuma ter menos gente, com estrutura mais simples e preços mais camaradas.

Um alerta prático: o nível das lagoas varia muito ao longo do ano. Elas ficam cheias e mais bonitas entre março e setembro, logo após o período de chuvas. Em novembro e dezembro, podem estar bem baixas.

Saia cedo e volte a tempo do pôr do sol na vila.

Dia 3 – Pedra Furada, Árvore da Preguiça e Praia da Malhada

Dia de explorar Jeri a pé — tudo aqui é próximo e não precisa de guia.

A Pedra Furada é o símbolo da vila: um arco de rocha esculpido pelo mar. Chega-se a ela por uma caminhada de cerca de 40 minutos pela praia, saindo da Malhada, e é fundamental conferir a tabela de marés antes: o acesso só existe na maré baixa. Entre junho e julho o sol nasce exatamente dentro do arco, o que atrai fotógrafos de madrugada.

No caminho fica a Árvore da Preguiça, um cajueiro deitado sobre a areia da Praia da Malhada que virou o cenário de foto mais repetido de Jeri.

A Praia da Malhada tem mar mais forte e piscinas naturais na maré baixa. É boa para passar a tarde.

À noite, a Rua Principal se enche: capoeira na praça, barraquinhas de caipirinha de frutas e restaurantes com mesas na areia. É o clima que faz Jeri.

Dia 4 – Tatajuba e a travessia das dunas

Passeio de dia inteiro de buggy até Tatajuba, a oeste de Jeri (cerca de R$ 150 a R$ 200 por pessoa, dividido entre quatro passageiros).

O trajeto já é o programa: dunas altíssimas, travessia de balsa no Rio Guriú e trechos rodando na beira do mar. No caminho fica a Duna do Funil e o point do "skibunda", onde você desce a duna sentado numa prancha de madeira e cai direto na lagoa.

Em Tatajuba está a Lagoa Grande, com bares de rede na água e estrutura tranquila, bem menos movimentada que a Lagoa do Paraíso. Ali também fica a Ilha do Amor, uma faixa de areia no meio da lagoa.

A vila de Tatajuba tem uma história curiosa: foi soterrada pelas dunas móveis nos anos 1970 e reconstruída alguns quilômetros adiante. Os moradores contam bem esse episódio.

Almoce peixe fresco em um dos restaurantes à beira da lagoa antes de voltar.

Dia 5 – Kitesurf ou passeio ao Mangue Seco

Jeri é um dos melhores lugares do mundo para kitesurf. O vento sopra forte e constante de julho a janeiro, e a vila tem dezenas de escolas. Uma aula experimental de 2 horas custa por volta de R$ 400; um curso completo de iniciação, cerca de R$ 1.500. Mesmo quem não pratica costuma passar um tempo na Praia do Preá só assistindo.

Se preferir algo mais tranquilo, faça o passeio de barco pelo Rio Guriú até o Mangue Seco. É um percurso curto entre manguezais onde é possível ver cavalos-marinhos em seu habitat natural — os guias usam recipientes transparentes e devolvem os animais à água, sem manuseio. Escolha operadores que sigam essa prática.

O passeio inclui uma parada no Guriú, uma vila de pescadores minúscula, onde se almoça peixe na beira do rio.

À tarde, volte para a vila e reserve a última noite para jantar com calma em um dos restaurantes da Rua Principal.

Dia 6 – Última manhã e retorno a Fortaleza

Aproveite a manhã para o que ficou faltando: um último banho de mar na Praia Principal, um café da manhã caprichado ou uma volta pelas lojinhas de artesanato em renda de bilro e palha.

Se o transfer for à tarde, dá tempo de subir de novo a Duna do Pôr do Sol de manhã, quando está praticamente vazia e a vista da vila inteira é ótima.

O retorno a Fortaleza refaz o trajeto: 4x4 até Jijoca e van até a capital, num total de 5 a 6 horas. Reserve o traslado com pelo menos um dia de antecedência na alta temporada.

Dicas finais: leve dinheiro em espécie, porque muitos estabelecimentos não aceitam cartão e os caixas eletrônicos da vila costumam ficar sem dinheiro. A energia elétrica é estável, mas o sinal de celular oscila. E prepare-se para andar descalço quase o tempo todo — em Jeri, sapato é praticamente inútil.

🎒 Lista de bagagem

Dinheiro

Saúde

Roupas

Calçados

Diversos

Eletrônicos

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