Montevidéu e Colonia em 5 dias gastando pouco: Ciudad Vieja, Rambla e o casco histórico
Montevidéu, Uruguai · 5 dia(s)
· Orçamento: R$ 3.000,00 · por Marcos Oliveira
Cinco dias no Uruguai com orçamento curto: Ciudad Vieja e Mercado del Puerto, os 22 km de Rambla a pé ou de bicicleta, museus gratuitos e o bate-volta a Colonia del Sacramento. Traz o que é caro e o que é barato no Uruguai, como economizar em comida e por que o ônibus vence o avião nesse trecho.
Dia 1 – Chegada, Ciudad Vieja e o mate que todo mundo carrega
Chegar ao Uruguai por terra costuma custar bem menos que voar, principalmente saindo do Sul do Brasil. Tem ônibus diretos de Porto Alegre a Montevidéu, com cerca de 12 horas de viagem, e a fronteira em Chuí é atravessada durante o trajeto. Saindo de outras regiões, compara: às vezes voar pra Porto Alegre e seguir de ônibus sai mais barato que o voo direto.
Montevidéu tem cerca de 1,3 milhão de habitantes e concentra quase metade da população do país. É uma capital tranquila, com escala humana e fácil de andar a pé.
Começa pela Ciudad Vieja, o centro historico na peninsula. A Puerta de la Ciudadela marca a entrada e leva à Plaza Independencia, onde ficam o Palacio Salvo (um arranha-céu de 1928 que já foi o mais alto da América do Sul) e o Mausoléu de Artigas, o herói nacional. A troca de guarda ali é gratuita e vale ver.
Desce pela peatonal Sarandí, calçadão que atravessa a Ciudad Vieja, passando pela Catedral Metropolitana e pelo Cabildo. No fim ta o Mercado del Puerto, um galpão de ferro de 1868 cheio de parrillas. Comer ali é caro pro padrão local: é o programa turistico. Passa pra ver o ambiente e come em outro lugar, ou divide um prato, as porções são generosas.
A cena que define o Uruguai: todo mundo caminha com a cuia de mate na mão e a garrafa termica debaixo do braço. Não é encenação pra turista, é habito diário. Comprar uma cuia e uma bomba é a lembrança mais barata e mais autentica que vc leva de lá.
Dia 2 – A Rambla de ponta a ponta e o pôr do sol de graça
A Rambla de Montevidéu é uma avenida costeira de cerca de 22 km que acompanha o Rio da Prata do porto até Carrasco. É o espaço público mais usado da cidade e o melhor programa gratuito da viagem.
Da pra percorrê-la a pé em trechos ou alugar bicicleta. Vários hostels emprestam ou alugam barato, e tem ciclovia em boa parte do caminho. O trecho entre Pocitos e Punta Carretas é o mais bonito, com a praia urbana de Pocitos e o farol de Punta Carretas ao fundo.
O Rio da Prata engana: é tão largo ali que parece mar, mas a água é barrenta e doce-salobra. Os montevideanos tratam a orla como praia mesmo assim, e no verão ela fica cheia.
O fim de tarde na Rambla é o ritual da cidade. As pessoas sentam no muro com mate, alguém toca violão, e o sol se põe sobre a água. Não custa nada e é a melhor lembrança que a gente trouxe.
No caminho, aproveita os museus gratuitos: o Museo Nacional de Artes Visuales, no Parque Rodó, e o Museo Torres García, na Ciudad Vieja, tem entrada franca ou muito barata. O Museo del Carnaval cobra pouco e explica o Carnaval uruguaio, que é o mais longo do mundo, com mais de 40 dias, e tem o candombe (ritmo de origem africana tocado com três tambores) como manifestação central, reconhecida pela Unesco.
Pra comer barato, procura os bares de bairro em Pocitos e Cordón e pede o menú del día no almoço: prato, bebida e sobremesa por preço fixo, bem mais em conta que jantar.
Dia 3 – Colonia del Sacramento: o casco histórico português
Colonia del Sacramento fica a cerca de 180 km de Montevidéu e o ônibus leva por volta de 2h30. Da pra fazer bate-volta saindo cedo, mas se o orçamento permitir uma noite, vale, a cidade fica muito melhor quando os ônibus de excursão vão embora no fim da tarde.
A cidade foi fundada pelos portugueses em 1680 e trocou de mãos entre Portugal e Espanha várias vezes ao longo de um seculo. Esse vaivém deixou uma marca visível: o Barrio Histórico tem ruas portuguesas, com pedras irregulares e sem calçada, ao lado de ruas espanholas, com pedras alinhadas e calha central pra escoar a água. A Calle de los Suspiros é a mais fotografada e mostra bem o traçado português.
O conjunto é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1995. O Farol de Colonia, construído sobre as ruínas do Convento de São Francisco do século 17, custa pouco pra subir e entrega a melhor vista do casco historico e do rio. A Porta da Cidadela, a Praça Maior e o Museu Português completam o circuito, que é pequeno e todo caminhável.
Economia pratica: o Barrio Histórico é compacto, então não gasta com transporte lá dentro. Muitos museus da cidade funcionam com um ingresso único combinado, que sai bem mais barato que pagar separado. E leva lanche do supermercado, restaurante no casco historico cobra preço de turista.
O pôr do sol visto da praia perto do porto, com o rio na frente e o casario atrás, é o motivo pelo qual vale considerar dormir ali.
Dia 4 – Bairros de Montevidéu: Palermo, Barrio Sur e a feira de Tristán Narvaja
Dia pra ver a cidade fora do circuito turistico. Barrio Sur e Palermo são os bairros de origem afro-uruguaia onde nasceu o candombe. Nas noites de domingo, e em algumas outras da semana, saem as chamadas: grupos de tambores percorrem as ruas tocando, e os moradores acompanham. É gratuito, é intenso e é a coisa mais viva que a gente viu em Montevidéu. Pergunta no hostel o dia e o horário, pq varia.
Se vc tiver na cidade num domingo de manhã, a Feria de Tristán Narvaja é obrigatória. É uma feira de rua enorme, que ocupa várias quadras, com livros antigos, discos, antiguidades, roupa, comida e bicho. Existe desde o começo do seculo 20 e é o melhor lugar pra comprar lembrança barata e original.
Outro programa acessível é o Estádio Centenário e o Museu do Futebol. O estádio foi construído pra primeira Copa do Mundo, em 1930, que o Uruguai sediou e venceu. Pra quem gosta de futebol, é território sagrado, e o ingresso do museu é barato.
Pra comer gastando pouco, duas estratégias funcionaram: comprar em supermercado (pão, queijo, fiambre e vinho de caixa saem por muito pouco e a qualidade do vinho tannat uruguaio até no básico é boa) e procurar as parrillas de bairro, longe da Ciudad Vieja, onde o mesmo corte custa metade.
O chivito é o sanduíche nacional: pão, carne, presunto, queijo, ovo, bacon e salada. Um chivito completo divide bem entre duas pessoas e resolve uma refeição inteira.
Dia 5 – Punta Carretas, últimas compras e a volta
Pro último dia, Punta Carretas e Parque Rodó. O bairro tem o farol, a orla mais arrumada e um shopping instalado numa antiga prisão, a arquitetura foi mantida e da pra reconhecer a estrutura original. O Parque Rodó tem lago, roda-gigante e uma feira de artesanato aos fins de semana.
Se o orçamento permitir uma extensão, Punta del Este fica a cerca de 130 km e é o balneário mais famoso do Uruguai. Fora do verão, ele fica praticamente vazio e barato, e a escultura da mão saindo da areia, na Praia Brava, continua lá. Em janeiro e fevereiro, é o lugar mais caro do país, evite se tiver economizando.
O que a gente aprendeu sobre gastar pouco no Uruguai:
O país não é barato. O custo de vida uruguaio é alto pros padrões sul-americanos, e restaurante e transporte pesam. O que salva o orçamento é cozinhar ou montar refeições de supermercado, usar o menú del día no almoço e aproveitar que os melhores programas da cidade (Rambla, praias, feiras, candombe) são gratuitos.
Hospedagem. Hostels em Cordón e Ciudad Vieja tem boa relação custo-beneficio, e muitos incluem café da manhã e cozinha equipada.
Transporte. O ônibus urbano é eficiente e barato, e a cidade é caminhável. Entre cidades, o ônibus intermunicipal é confortável e cobre todo o país.
Quando ir. O verão, de dezembro a março, é alta temporada com preços de pico. O outono e a primavera tem clima ameno, cidade vazia e os melhores preços, foi quando a gente foi. O inverno é frio e umido, com vento forte vindo do rio, mas é quando tudo custa menos.
Documento: brasileiros entram com RG em bom estado ou passaporte. Confirma a regra vigente antes de sair.
Lista de bagagem
Documentos
- [ ] RG em bom estado ou passaporte válido
- [ ] Seguro viagem
Dinheiro
- [ ] Dinheiro em espécie para trocar (compare as taxas antes)
- [ ] Cartão internacional como reserva
Roupas
- [ ] Corta-vento (venta muito na Rambla o ano todo)
- [ ] Casaco: as noites esfriam mesmo no verão
Calçados
- [ ] Tênis confortável para caminhar muito
Diversos
- [ ] Guarda-chuva compacto
- [ ] Garrafa de água reutilizável
- [ ] Sacola dobrável para as compras de supermercado
- [ ] Cadeado para o armário do hostel
Eletrônicos
- [ ] Adaptador de tomada
- [ ] Power bank
Saúde