Paraty e Trindade em 5 dias: centro histórico, passeio de escuna e praias desertas
Cinco dias a dois entre o casario colonial de Paraty, o passeio de escuna pelas ilhas da baía, as piscinas naturais de Trindade e as cachoeiras da Estrada da Cachaça. Inclui o detalhe que quase ninguém sabe sobre as ruas alagadas do centro histórico e como escolher o dia certo para o barco.
Mapa do roteiro
Dia 1 – Chegada e o centro histórico ao entardecer
Paraty fica na Costa Verde, a cerca de 250 km do Rio e 330 km de São Paulo, e a chegada pela Rio-Santos já é parte do programa: a estrada corre entre a Serra do Mar e o mar, com mirantes a cada curva. Não dirige esse trecho à noite se puder evitar, a vista é metade do motivo de ir de carro.
O centro historico é fechado pra carros, com ruas de pedra irregular conhecidas como pé de moleque. Elas machucam o pé em sandália rasteira e são impossíveis de salto, então deixa o sapato bonito na mala e leva calçado confortavel de solado grosso. Esse é o conselho mais pratico que a gente pode dar sobre Paraty.
O casario é do século 18, do auge do ouro que descia de Minas pelo Caminho do Ouro até o porto. As casas seguem um padrão de portas e janelas coloridas, e várias fachadas tem simbolos maçonicos discretos. A Igreja de Santa Rita, a Matriz de Nossa Senhora dos Remédios e a Igreja das Dores organizam bem o passeio a pé.
O detalhe que encanta quem descobre: as ruas do centro foram construídas propositalmente abaixo do nível da maré, com aberturas nos muros de contenção. Em maré cheia de lua nova ou cheia, a água do mar invade as ruas e lava o calçamento. O fenomeno é chamado localmente de maré da lua, e o centro historico vira um espelho d'água refletindo o casario. Se coincidir com sua viagem, é o momento mais bonito do lugar, consulta a tábua de marés antes de escolher as datas.
Pro primeiro jantar, o centro concentra os melhores restaurantes. Reserva com antecedência em alta temporada.
O centro historico é fechado pra carros, com ruas de pedra irregular conhecidas como pé de moleque. Elas machucam o pé em sandália rasteira e são impossíveis de salto, então deixa o sapato bonito na mala e leva calçado confortavel de solado grosso. Esse é o conselho mais pratico que a gente pode dar sobre Paraty.
O casario é do século 18, do auge do ouro que descia de Minas pelo Caminho do Ouro até o porto. As casas seguem um padrão de portas e janelas coloridas, e várias fachadas tem simbolos maçonicos discretos. A Igreja de Santa Rita, a Matriz de Nossa Senhora dos Remédios e a Igreja das Dores organizam bem o passeio a pé.
O detalhe que encanta quem descobre: as ruas do centro foram construídas propositalmente abaixo do nível da maré, com aberturas nos muros de contenção. Em maré cheia de lua nova ou cheia, a água do mar invade as ruas e lava o calçamento. O fenomeno é chamado localmente de maré da lua, e o centro historico vira um espelho d'água refletindo o casario. Se coincidir com sua viagem, é o momento mais bonito do lugar, consulta a tábua de marés antes de escolher as datas.
Pro primeiro jantar, o centro concentra os melhores restaurantes. Reserva com antecedência em alta temporada.
Dia 2 – Passeio de escuna pelas ilhas da baía
A Baía de Paraty tem dezenas de ilhas e mais de uma centena de praias, muitas acessíveis só por mar. O passeio de escuna é o jeito clássico de conhecê-las, sai do cais do centro historico e dura em torno de 5 horas, com quatro ou cinco paradas pra banho.
O roteiro tradicional inclui a Ilha Comprida, a Lagoa Azul, a Praia Vermelha e a Ilha do Algodão, com variações conforme o barco e as condições do mar. A Lagoa Azul é o ponto alto: água transparente e rasa entre ilhas, com peixes visíveis da superficie. Leva máscara e snorkel próprios, os emprestados a bordo costumam ser ruins e vazar.
Existem duas categorias de passeio: as escunas grandes, mais baratas e com muita gente, musica alta e bar a bordo; e os barcos pequenos ou lanchas privativas, bem mais caros e tranquilos. Pra uma viagem a dois, o barco pequeno muda completamente a experiência, a gente dividiu com outro casal e valeu cada centavo.
Duas dicas de horário: sai no primeiro barco da manhã, pq o mar fica mais calmo e as paradas menos cheias; e escolhe um dia de tempo firme. Em dia nublado a água perde a cor e o passeio rende bem menos. Se possível, deixa o barco pro segundo ou terceiro dia da viagem, pra poder escolher o melhor dia da previsão.
De volta, o fim de tarde no cais é bonito, com os barcos ancorados e o casario ao fundo. Depois, um jantar no centro fecha o dia.
O roteiro tradicional inclui a Ilha Comprida, a Lagoa Azul, a Praia Vermelha e a Ilha do Algodão, com variações conforme o barco e as condições do mar. A Lagoa Azul é o ponto alto: água transparente e rasa entre ilhas, com peixes visíveis da superficie. Leva máscara e snorkel próprios, os emprestados a bordo costumam ser ruins e vazar.
Existem duas categorias de passeio: as escunas grandes, mais baratas e com muita gente, musica alta e bar a bordo; e os barcos pequenos ou lanchas privativas, bem mais caros e tranquilos. Pra uma viagem a dois, o barco pequeno muda completamente a experiência, a gente dividiu com outro casal e valeu cada centavo.
Duas dicas de horário: sai no primeiro barco da manhã, pq o mar fica mais calmo e as paradas menos cheias; e escolhe um dia de tempo firme. Em dia nublado a água perde a cor e o passeio rende bem menos. Se possível, deixa o barco pro segundo ou terceiro dia da viagem, pra poder escolher o melhor dia da previsão.
De volta, o fim de tarde no cais é bonito, com os barcos ancorados e o casario ao fundo. Depois, um jantar no centro fecha o dia.
Dia 3 – Trindade: Cachadaço, Praia do Meio e a piscina natural
Trindade fica a cerca de 25 km do centro de Paraty, já perto da divisa com São Paulo, e é um vilarejo de praia que ainda mantém clima simples, com pousadas pequenas e muita gente de mochila.
A descida da Rio-Santos pra vila é íngreme e o estacionamento na alta temporada é caotico. Uma alternativa é deixar o carro em cima e descer de van local. Chega cedo, sempre.
A sequência clássica de praias começa na Praia dos Ranchos, junto à vila, segue pra Praia do Meio e a Praia do Cachadaço. A caminhada entre elas passa por trilha na mata e sobre pedras, não é dificil, mas exige calçado firme e cerca de 30 a 40 minutos até o Cachadaço.
O destino é a Piscina Natural do Cachadaço: uma enseada fechada por rochas onde o mar entra calmo e transparente, com peixes por toda parte. É uma das águas mais bonitas do litoral fluminense e o ponto mais romantico do roteiro. Vai com máscara.
Quem prefere não caminhar pode ir de barco a partir da vila, os pescadores fazem o traslado e é uma boa opção no calor.
Detalhes importantes: leva água e lanche, pq a estrutura nas praias mais distantes é minima; a maré alta reduz muito a piscina natural, então checa o horário; e o mar da Praia do Meio tem correnteza em alguns pontos. Volta pra vila com luz de dia, a trilha não é iluminada.
A descida da Rio-Santos pra vila é íngreme e o estacionamento na alta temporada é caotico. Uma alternativa é deixar o carro em cima e descer de van local. Chega cedo, sempre.
A sequência clássica de praias começa na Praia dos Ranchos, junto à vila, segue pra Praia do Meio e a Praia do Cachadaço. A caminhada entre elas passa por trilha na mata e sobre pedras, não é dificil, mas exige calçado firme e cerca de 30 a 40 minutos até o Cachadaço.
O destino é a Piscina Natural do Cachadaço: uma enseada fechada por rochas onde o mar entra calmo e transparente, com peixes por toda parte. É uma das águas mais bonitas do litoral fluminense e o ponto mais romantico do roteiro. Vai com máscara.
Quem prefere não caminhar pode ir de barco a partir da vila, os pescadores fazem o traslado e é uma boa opção no calor.
Detalhes importantes: leva água e lanche, pq a estrutura nas praias mais distantes é minima; a maré alta reduz muito a piscina natural, então checa o horário; e o mar da Praia do Meio tem correnteza em alguns pontos. Volta pra vila com luz de dia, a trilha não é iluminada.
Dia 4 – Estrada da Cachaça, cachoeiras e alambiques
Dia de serra, pra variar do mar. A estrada Paraty-Cunha, que sobe a Serra da Bocaina, concentra cachoeiras e alambiques e é conhecida como Estrada da Cachaça. É de terra em boa parte, mas transitável com carro comum em dia seco.
As paradas clássicas são a Cachoeira do Tobogã, no Penha, onde uma laje lisa e inclinada funciona como escorregador natural, os locais descem em pé, e não tenta imitar sem pratica, pq a pedra é traiçoeira. Ali perto fica o Poço do Tarzan, com um cipó pra pular na água, e a Cachoeira da Pedra Branca, com poços em vários niveis.
Paraty é a origem historica da palavra parati, que já foi sinonimo de aguardente de qualidade no Brasil colonial. Os alambiques da região mantêm produção artesanal e vários recebem visita com degustação: o Engenho d'Ouro, o Corisco e o Paratiana tão entre os mais conhecidos. Cachaça envelhecida em madeiras nativas como amburana e jequitibá tem sabor bem diferente da branca, vale provar as duas pra entender.
Se alguém do casal for dirigir, combina antes quem vai degustar. A estrada de terra na volta, com curvas e trechos íngremes, não perdoa.
O Caminho do Ouro é outra opção do mesmo lado: um trecho preservado do calçamento original construído por escravizados no século 18 pra escoar o ouro de Minas até o porto. A visita é guiada e a caminhada é curta, mas o contexto historico é forte.
À noite, de volta a Paraty, vale procurar um restaurante com musica ao vivo no centro historico, o clima com as ruas iluminadas por lampiões é o melhor da viagem.
As paradas clássicas são a Cachoeira do Tobogã, no Penha, onde uma laje lisa e inclinada funciona como escorregador natural, os locais descem em pé, e não tenta imitar sem pratica, pq a pedra é traiçoeira. Ali perto fica o Poço do Tarzan, com um cipó pra pular na água, e a Cachoeira da Pedra Branca, com poços em vários niveis.
Paraty é a origem historica da palavra parati, que já foi sinonimo de aguardente de qualidade no Brasil colonial. Os alambiques da região mantêm produção artesanal e vários recebem visita com degustação: o Engenho d'Ouro, o Corisco e o Paratiana tão entre os mais conhecidos. Cachaça envelhecida em madeiras nativas como amburana e jequitibá tem sabor bem diferente da branca, vale provar as duas pra entender.
Se alguém do casal for dirigir, combina antes quem vai degustar. A estrada de terra na volta, com curvas e trechos íngremes, não perdoa.
O Caminho do Ouro é outra opção do mesmo lado: um trecho preservado do calçamento original construído por escravizados no século 18 pra escoar o ouro de Minas até o porto. A visita é guiada e a caminhada é curta, mas o contexto historico é forte.
À noite, de volta a Paraty, vale procurar um restaurante com musica ao vivo no centro historico, o clima com as ruas iluminadas por lampiões é o melhor da viagem.
Dia 5 – Praia do Sono ou manhã livre, e a volta
Pro último dia, duas escolhas conforme a energia do casal.
A opção ativa é a Praia do Sono, uma das mais bonita da região e sem acesso por carro. Chega-se por trilha a partir do Condomínio Laranjeiras, com cerca de 1h de caminhada de dificuldade moderada, ou de barco a partir do mesmo ponto. A praia é larga, com areia clara e poucas construções, e dali saem trilhas pra Antigo e Ponta Negra, ainda mais isoladas. Quem quiser ficar precisa acampar ou dormir em pousada simples da comunidade, não tem estrutura de hotel.
A opção tranquila é ficar em Paraty: café da manhã sem pressa, uma volta pelas galerias de arte e ateliês do centro, compras de artesanato e cachaça, e almoço à beira do cais antes de pegar a estrada.
Sobre quando ir: de abril a junho e de setembro a novembro são os melhores meses, menos chuva que no verão, menos gente e preços mais baixos. O verão, de dezembro a março, é a alta temporada com muita chuva na serra e cidade cheia. Julho tem a Flip, a festa literária que ocupa o centro historico e lota a cidade; ótimo se vc vai pelo festival, ruim se quer sossego.
Duas notas finais. Primeira: o centro historico não tem numeração de casas em muitas ruas e o GPS se perde entre as pedras; se orienta pelas igrejas. Segunda: se a viagem coincidir com maré de sizígia, acorda pra ver a rua alagada de manhã cedo. A gente viu e ficou sem palavras, é a imagem que a gente guarda de Paraty.
A opção ativa é a Praia do Sono, uma das mais bonita da região e sem acesso por carro. Chega-se por trilha a partir do Condomínio Laranjeiras, com cerca de 1h de caminhada de dificuldade moderada, ou de barco a partir do mesmo ponto. A praia é larga, com areia clara e poucas construções, e dali saem trilhas pra Antigo e Ponta Negra, ainda mais isoladas. Quem quiser ficar precisa acampar ou dormir em pousada simples da comunidade, não tem estrutura de hotel.
A opção tranquila é ficar em Paraty: café da manhã sem pressa, uma volta pelas galerias de arte e ateliês do centro, compras de artesanato e cachaça, e almoço à beira do cais antes de pegar a estrada.
Sobre quando ir: de abril a junho e de setembro a novembro são os melhores meses, menos chuva que no verão, menos gente e preços mais baixos. O verão, de dezembro a março, é a alta temporada com muita chuva na serra e cidade cheia. Julho tem a Flip, a festa literária que ocupa o centro historico e lota a cidade; ótimo se vc vai pelo festival, ruim se quer sossego.
Duas notas finais. Primeira: o centro historico não tem numeração de casas em muitas ruas e o GPS se perde entre as pedras; se orienta pelas igrejas. Segunda: se a viagem coincidir com maré de sizígia, acorda pra ver a rua alagada de manhã cedo. A gente viu e ficou sem palavras, é a imagem que a gente guarda de Paraty.
Lista de bagagem
0 de 15 itens
·
Marque o que já separou — seu progresso fica salvo apenas neste navegador.