Serra Catarinense em 4 dias de carro: Serra do Rio do Rastro, Urubici e São Joaquim
Urubici, Santa Catarina · 4 dia(s)
· Orçamento: R$ 3.400,00 · por Marcos Oliveira
Quatro dias de estrada pela serra de Santa Catarina: as curvas da Serra do Rio do Rastro, o Morro da Igreja com a Pedra Furada, o Cânion Espraiado, as cachoeiras de Urubici e as vinícolas de altitude de São Joaquim. Traz o horário certo de cada mirante e o que fazer quando a neblina fecha tudo.
Dia 1 – Subida pela Serra do Rio do Rastro e chegada a Bom Jardim
A Serra do Rio do Rastro é o motivo pelo qual essa viagem tem que ser de carro. São cerca de 12 km de curvas fechadas subindo do litoral até a serra, com desnível de aproximadamente 1.400 metros, entre paredões de rocha. A estrada, a SC-390, foi inaugurada em 1930 e reformada depois, e é considerada uma das rodovias mais bonita do mundo.
O trajeto mais comum começa em Tubarão ou Orleans, sobe pela serra e termina em Bom Jardim da Serra. Sobe de dia e com tempo bom. Duas razões: a neblina fecha a serra com frequência e reduz a visibilidade a poucos metros, e as curvas em ziguezague, sem acostamento em vários trechos, não perdoam distração.
O Mirante da Serra do Rio do Rastro fica no alto, depois da subida, e de lá se vê a estrada inteira serpenteando pelo vale, é a imagem clássica. Existe também um mirante mais alto, com estrutura de café, um pouco adiante.
Um detalhe que a gente aprendeu na pratica: a melhor luz pra fotografar a serra é no fim da tarde, com o sol de lado. De manhã costuma ter contraluz e, com frequência, mar de nuvens cobrindo o vale, o que é lindo, mas esconde as curvas.
Se der tempo, o Morro do Campestre, perto de Bom Jardim da Serra, tem vista aberta e é um bom lugar pro pôr do sol.
Aviso importante pro inverno: entre junho e agosto pode ter formação de gelo na pista no alto da serra, e o trecho chega a ser interditado. Consulta a condição da estrada no dia.
Dia 2 – Morro da Igreja e Pedra Furada ao amanhecer
Este é o dia que exige acordar antes do sol, e a razão é boa. O Morro da Igreja, dentro do Parque Nacional de São Joaquim, fica a 1.822 metros e é o ponto habitado mais alto do Sul do Brasil. Foi ali que se registrou a menor temperatura oficial já medida no país, de 17,8 graus negativos, em 1996.
O mirante da pra Pedra Furada, uma formação rochosa com um vão de cerca de 30 metros aberto pela erosão, suspensa sobre o vale. A imagem é o cartão-postal da serra catarinense.
O acesso funciona por horário controlado, pq a área é militar (tem uma estação da Aeronáutica no topo) e a visitação só é permitida em determinada janela da manhã. Confirma o horário e as regras vigentes na véspera, na portaria ou com a pousada, pq isso muda.
O motivo de ir cedo não é só a regra: é a nuvem. A partir do meio da manhã a neblina sobe do vale e cobre tudo, e não é raro alguém subir e não ver absolutamente nada. Se acontecer com vc, espera meia hora, a nuvem se move rápido e às vezes abre por alguns minutos.
Leva casaco pesado mesmo em janeiro. A temperatura no topo é muito mais baixa que na cidade e o vento é constante.
De tarde, o Cânion Espraiado, também perto de Urubici, tem mirante com vista pra um vale profundo e é onde ficam as ruínas de uma antiga usina. Bem mais tranquilo e quase sempre sem fila.
Dia 3 – Cachoeiras de Urubici, Serra do Corvo Branco e vinícolas de altitude
Urubici concentra tantas cachoeiras que é preciso escolher. As mais visitadas são a Cascata do Avencal, com cerca de 100 metros de queda e uma passarela suspensa que passa por cima, e a Cachoeira Véu de Noiva, de acesso mais fácil. A Cascata Rio dos Bugres e a do Camping Bosque das Pedras completam a lista pra quem tem mais tempo.
A Serra do Corvo Branco é a outra estrada espetacular da região. Liga Urubici a Grão-Pará e tem um corte no morro feito em rocha, com paredões de até 90 metros de altura dos dois lados da pista, parece um cânion artificial. A estrada é de chão em boa parte e exige atenção, mas carro comum passa em dia seco.
À tarde, São Joaquim, a cerca de 50 km de Urubici. A cidade fica a mais de 1.300 metros e é conhecida por duas coisas: a maçã e a neve. É a região que mais produz maçã no Brasil, e é onde neva com mais frequência no país, algumas vezes por inverno, geralmente em julho e agosto, sempre sem hora marcada.
O que muita gente não sabe é que a região virou polo de vinhos de altitude. Os vinhedos ficam acima de 900 metros, o que da uma amplitude termica alta entre dia e noite e uvas com boa acidez e maturação lenta. Várias vinicolas recebem visita com degustação, e os tintos da região tem ganhado prêmios. Agenda na véspera, pq quase nenhuma atende sem reserva.
Se estiver na estação certa, a colheita da maçã acontece por volta de fevereiro e março, e algumas propriedades abrem pra colher.
Dia 4 – Parque Nacional de São Joaquim, araucárias e a descida
Pro último dia, o Parque Nacional de São Joaquim, criado em 1961 pra proteger a floresta de araucária e os campos de altitude. A araucária é a árvore-simbolo do Sul e ta ameaçada: restam poucos por cento da cobertura original. Ver um bosque denso delas, com aquele formato de taça invertida contra o céu, é uma das imagens mais bonita do Brasil.
O parque tem trilhas e mirantes, e a estrutura de visitação vem sendo ampliada aos poucos. Confirma quais setores tão abertos antes de ir, nem todos operam o ano todo.
No caminho de volta, vale escolher entre descer de novo pela Serra do Rio do Rastro, agora no outro sentido e com outra luz, ou seguir por Lages e pegar a BR-116. A descida pela serra é mais bonita; a rota por Lages é mais rápida e segura em dia de neblina.
Se passar por Lages, a cidade é o berço do turismo rural no Brasil, com fazendas historicas que recebem visitantes pra lida do campo, cavalgada e café colonial.
Quando ir:
Inverno, de junho a agosto. É a época das geadas fortes, do mar de nuvens e da chance de neve. É também quando a região lota nos fins de semana e as diárias sobem muito. Se for pela neve, entenda que ela não é garantida, em muitos anos não neva.
Outono, abril e maio. Frio agradável, céu limpo com mais frequência, folhagem bonita e preços menores. Foi quando a gente foi, e é a época que recomendaria.
Verão. Dias quentes no vale e amenos na serra, cachoeiras cheias e estradas de terra em boas condições. É a melhor época pras trilhas e pra Serra do Corvo Branco.
Dica final pra road trip: abastece sempre que passar por cidade, tenha mapa offline e não conte com sinal de celular entre uma cidade e outra.
Lista de bagagem
Roupas
- [ ] Casaco pesado, mesmo no verão (o topo é muito mais frio)
- [ ] Blusas para vestir em camadas
- [ ] Touca, luvas e cachecol no inverno
- [ ] Capa de chuva ou corta-vento impermeável
Calçados
- [ ] Tênis fechado com solado firme
Eletrônicos
- [ ] Mapas baixados para uso offline
- [ ] Power bank
- [ ] Câmera com bateria extra (o frio consome mais rápido)
Diversos
- [ ] Tanque cheio ao sair de cada cidade
- [ ] Garrafa térmica com café ou chá
Saúde
- [ ] Hidratante e protetor labial (ar muito seco)
- [ ] Protetor solar (o sol de altitude engana)
Documentos
- [ ] Horário de visitação do Morro da Igreja confirmado
- [ ] Reserva das vinícolas de São Joaquim
Dinheiro
- [ ] Dinheiro para as entradas das cachoeiras