Salvador e Morro de São Paulo em 7 dias
Salvador, Bahia · 7 dia(s)
· Orçamento: R$ 3.800,00 · por Olimpia Maria
Passei uma semana na Bahia: comecei no Pelourinho e no Farol da Barra e terminei nas praias sem carro de Morro de São Paulo. Deixo aqui os horários e o preço atual do catamarã, a taxa de preservação cobrada na chegada à ilha, a diferença entre a Primeira e a Quarta Praia e o bate-volta à Praia do Forte.
Dia 1 – Chegada e Pelourinho
Salvador foi a primeira capital do Brasil e o Centro Histórico é Patrimônio Mundial da Unesco. Comecei pelo Elevador Lacerda, que liga a Cidade Baixa à Cidade Alta desde 1873: são 72 metros em cerca de 20 segundos, por uma tarifa simbólica.
Lá em cima, a Praça Municipal abre pro Pelourinho. Visitei a Igreja e Convento de São Francisco, uma das obras-primas do barroco mundial, com o interior todo recoberto de talha dourada — o tipo de lugar que me deixa sem palavra. A Catedral Basílica e a Igreja do Rosário dos Pretos, erguida por escravizados, completam o circuito.
O conjunto é lindo, mas fiquei de olho nos pertences e preferi circular de dia. À noite o Pelourinho é seguro nas áreas movimentadas — nas terças rola a tradicional Terça da Bênção, com música ao vivo pelas ruas; se der, ajuste a agenda pra cair numa terça.
Pra jantar, acarajé de tabuleiro ou uma moqueca num restaurante da região. Fui nos dois, em noites diferentes, e não sei dizer qual ganhou.
Dia 2 – Barra, Farol e orla
Dia mais leve, de orla. O Farol da Barra fica dentro do Forte de Santo Antônio da Barra (1698), abriga o Museu Náutico e marca o ponto onde a Baía de Todos os Santos encontra o oceano. É o melhor lugar da cidade pro pôr do sol — cheguei com antecedência e recomendo que faça o mesmo.
Do lado fica a Praia do Porto da Barra, protegida e de mar calmo, uma das poucas praias urbanas boas de banho na cidade.
Dali segui pela orla até o Rio Vermelho, o bairro boêmio das baianas de acarajé mais famosas (Dinha e Cira, no Largo da Mariquita) e da festa de Iemanjá, em 2 de fevereiro.
Sobrando tempo, o Mercado Modelo, na Cidade Baixa, é o lugar clássico de artesanato, fitinha do Senhor do Bonfim e tempero.
Dia 3 – Bate-volta à Praia do Forte
A Praia do Forte fica a 80 km ao norte de Salvador, cerca de 1h15 pela Linha Verde. É uma vila charmosa, com uma rua principal de pedestres lotada de loja e restaurante.
O motivo principal da visita é a sede do Projeto Tamar, que trabalha na conservação das tartarugas marinhas desde 1980. Os tanques abertos deixam ver tartaruga de várias espécies bem de perto, e o centro explica direitinho o trabalho de proteção das desovas. Entre setembro e março é a temporada reprodutiva.
A vila tem ainda o Castelo Garcia D'Ávila, ruína do século 16 — a única construção em estilo de castelo medieval das Américas.
Pra quem preferir ficar na cidade, a alternativa é o passeio de escuna pela Baía de Todos os Santos até a Ilha dos Frades e a Ilha de Itaparica.
Dia 4 – Catamarã para Morro de São Paulo
A travessia sai do Terminal Náutico de Salvador, em frente ao Mercado Modelo, e leva umas 2h30. A passagem custa em torno de R$ 128 por trecho. São cinco saídas diárias de Salvador (8h30, 9h, 10h30, 13h e 14h30) e quatro na volta (9h, 11h30, 13h e 15h). Na alta temporada, compre com antecedência.
O mar aberto entre a Baía de Todos os Santos e a ilha costuma balançar, principalmente à tarde. Se você enjoa, tome o remédio antes de embarcar e escolha a saída da manhã — eu não arriscaria.
Na chegada se paga a TUPA, a taxa de preservação ambiental de Cairu. Desde 1º de agosto de 2026 o valor é de R$ 90 por pessoa, pago no píer de desembarque. Criança até 5 anos é isenta.
Morro de São Paulo não tem carro: a bagagem vai no carrinho de mão dos carregadores (combine o valor antes). Reservei a tarde pra Primeira e pra Segunda Praia, onde fica o agito.
Dia 5 – Da Terceira à Quarta Praia
As praias do Morro são numeradas na ordem em que aparecem, e cada uma tem personalidade própria — entender isso ajuda demais na hora de escolher onde ficar.
A Primeira é pequena e tem a tirolesa. A Segunda concentra bar, festa e o maior movimento. A Terceira é mais tranquila, com piscinas naturais na maré baixa e os barcos de passeio. A Quarta é a maior, mais larga e sossegada, com resorts e uma faixa de areia que parece não acabar.
Caminhei da Segunda até a Quarta pela areia — na maré baixa dá pra fazer tudo a pé, uns 40 minutos — e escolhi um bar pra passar o dia.
No fim da tarde subi ao Farol e às ruínas da Fortaleza de Nossa Senhora da Estrela, do século 17, pra ver o pôr do sol sobre o mar e o continente. Foi o momento mais bonito da semana.
Dia 6 – Volta à ilha de barco e Gamboa
O passeio mais procurado é a Volta à Ilha, de barco (cerca de R$ 120 a R$ 160 por pessoa, dia inteiro). Ele contorna a ilha de Tinharé com paradas em Garapuá, na Piscina Natural de Moreré — onde a água fica cristalina na maré baixa — e em Boipeba, a ilha vizinha, ainda mais preservada.
A alternativa mais curta e barata é atravessar a pé até a Gamboa, o vilarejo vizinho. Na maré baixa dá pra ir pela praia em uns 40 minutos, passando pela Fonte Grande. Lá fica o famoso banco de argila, onde o pessoal se cobre da lama medicinal e depois mergulha no mar — vale entrar na brincadeira.
Na última noite, jantei na Segunda Praia: bobó de camarão de um lado, casquinha de siri do outro, e a mesa feliz.
Dia 7 – Retorno a Salvador
Programe a volta com folga, isso é sério. Se o voo sair no fim da tarde, pegue o catamarã das 9h ou das 11h30: some as 2h30 de travessia, o traslado até o aeroporto e uma margem pra atraso, que é comum quando o mar tá agitado.
A alternativa mais rápida — e mais cara — é o voo panorâmico de teco-teco entre o Morro e Salvador: cerca de 25 minutos e ainda rende uma vista aérea do arquipélago.
Se sobrar tempo em Salvador, a Igreja do Senhor do Bonfim, na Cidade Baixa, é a mais popular da cidade. É ali que se amarram as famosas fitinhas coloridas, com três nós e três pedidos.
Sobre quando ir: a melhor janela vai de setembro a março, de sol firme. De abril a julho chove mais na costa baiana inteira. Fevereiro tem Carnaval — pra quem quer festa é a data certa, mas com preço lá em cima e cidade lotada.
Créditos das fotos da galeria: Pelourinho — Paul R. Burley, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Largo_do_Pelourinho_Salvador_2019-9754_(cropped).jpg ; Farol da Barra — Paul R. Burley, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Farol_da_Barra_Salvador_Bahia-4438.jpg ; Morro de São Paulo — LíviaBuhring, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Morro_de_S%C3%A3o_Paulo_Praia_Principal.JPG . Licenças: https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/ e https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/ . Imagens redimensionadas e convertidas para WebP; mantidas sob as respectivas licenças.
Lista de bagagem
Dinheiro
- [ ] Dinheiro para a TUPA (R$ 90 por pessoa, na chegada)
Documentos
- [ ] Passagem do catamarã comprada com antecedência
- [ ] Documento com foto
Saúde
- [ ] Remédio para enjoo (a travessia balança)
- [ ] Protetor solar e repelente
Diversos
- [ ] Mochila pequena (as malas vão de carrinho de mão)
- [ ] Saco impermeável para eletrônicos
Calçados
- [ ] Tênis confortável para o Pelourinho
- [ ] Chinelo
Roupas
- [ ] Roupa de banho
- [ ] Capa de chuva leve
Eletrônicos
- [ ] Lanterna pequena (ruas da ilha têm pouca luz)
- [ ] Power bank